Autor: Luis Vaz de Camões
Nesta obra Camões recria a viagem de Vasco da Gama ao Oriente, e revela o passado glorioso de Portugal. Retoma elementos da mitologia clássica, reforçando o valor dos conquistadores lusitanos, No entanto, Camões não deixa de fazer sua crítica à pátria lusitana, ao reconhecer que o sonho de grandeza que a move pode levá-la ao declínio irreverssível.
Canto I
- Proposição: apresentação dos temas que vão estar presentes na narrativa que se anuncia. O poeta fala sobre os navegadores portugueses e suas aventuras marítima, que reesultaram na conquista das distantes terras orientais. Desde o início da obra fica estabelecida uma comparação entre os navegadores portugueses e os antigos heróis retratados nas grandes obras épicas do passado. O poeta ainda diz que os heróis lusitanos são superiores aos do passado.
- Invocação: momento em que o poeta pede ajuda às ninfas (tágides) para a composição do poema. Pedido este que pode ser intrepretado como um pedido de inspiração para a própria pátria portuguesa, representada pelas águas de se principal rio (Tejo).
- Dedicatória: poeta faz uma homenagem ao Rei D. Sebastião, dedicando a ele os versos que irá cantar. Este foi o último grande rei português e quando este rei morre, na batalha de Alcácer-Quibir, morre com ele o sonho português de seguir sendo um grande império mundial. A narração que vem em seguida pode ser entendida como uma conversa entre o poeta e o Rei, em que o primeiro apresenta ao segundo a grandeza do país que irá governar.
- Concílio dos Deuses: inicia-se o concílio dos Deuses, em que aparece a figura de Júpiter, deus supremo do Olimpo, chamando todos os deuses para uma assembléia com o objetivo de definir o futuro das navegações lusitanas. Júpiter relembra apoio dado aos portugueses em outras batalhas. Baco posiciona-se contra os portugueses. É interessante lembrar que Vênus defende os portugueses por achá-los parecidos com antigos romanos, na força e na língua que falam e por esperar ser homenageada por eles ao final da nevegação.
- Navegação pela costa oriental da África até Moçambique: terminado o Concílio, portugueses seguem a navegação pela costa africana. A narrativa de Camões começa "in media res", ou seja, o poeta inicia a narrativa no meio, quando os portugeueses já estão na costa oriental da África, já tendo passado pelo Cabo das Tormentas. Mais adiante, a parte inicial da viagem e os fatos anteriores a esta serão revelados através da memória dos personagens.
Em Moçambique, primeiramente, há um contato pacifico com os muçulmanos. Esta paz, no entanto, é aparente e deve-se ao fato de o chefe árabe pensar que Vasco da Gama é turco. Quando este revela que é cristão, evidencia-se a antipatia dos árabes, o que facilita as armadilhas de Baco (ele se disfarça de velho muçulmano para convencer os árabes a atacarem os portugueses).
- O falso piloto: depois da batalha, os árabes oferecem aos portugueses um avião para retornarem às Índias. Trata-se, na verdade, de mais uma armadilha de Baco, e serão salvos por Vênus, que desvia os navios da entrada do porto em que seriam atacados.
- Meditação moral: o poeta apresenta uma reflexão sobre os perigos da vida. Pergunta-se como pode o homem, tão frágil, defender-se das artimanhas dos deuses, uma vez que não há onde esconder-se, nem na terra e nem no mar.
Canto II
- Chegada a Moçambique: portugueses chegam à cidade de Moçambique onde, mais uma vez, encontram a traição. O Rei de Mombaça faz um convite enganoso a Vasco da Gama. Aproveitando-se de certa animosidade entre árabes e portugueses, Baco volta à Terra, disfarçado de sacerdote cristão, enganando dois portugueses que levam informações falsas para os navios. Portugueses são novamente salvos por Vênus. Ao final, Vasco da Gama faz uma súplica para que Deus siga o protegendo.
- Vênus queixa-se a Júpiter: Vênus vai ao Olimpo, recorrendo a seu pai. A deusa pensa que o pai está contra ela por permitir que Baco ataque os portugueses. Júpiter, então, volta a defender os lusitanos, anunciando os feitos grandiosos que estes ainda irão realizar. Para provar a Vênus que está ao seu lado, Júpiter envia Mercúrio à Terra, para que este influencie pessoas a favor dos portugueses. Em sonhos, Mercúrio mostra a Vasco da Gama a terra onde terá um repouso seguro.
- Chegada a Melinde: inspirados em um sonho que Mercúrio mandou a Vasco da Gama, portugueses partem para Melinde, onde são esperados com entusiasmo.
- Pedido ao Gama: Rei de Melinde pede a Vasco da Gama que conte suas história e suas aventuras.
Canto III
- Invocação a Calíope: mudança de foco narrativo; o poeta passa a palavra para o próprio Vasco da Gama , que revelará ao Rei de Melinde todo o passado, desde o surgimento de Portugal até a viagem que ele mesmo fez. Camões faz uma invocação a Calíope para que revele a ele as palavras que Vasco disse ao Rei, de modo que seu relato possa ser fiel.
- Descrição da europa e localização de Portugal: descrição da europa através de seus principais reinos e povos, e a conseqüente localização de Portugal (tanto pelo ponto de vista geográfico quanto pela importância histórica).
- História de Portugal: Vasco da Gama passa a relatar ao Rei de Melinde a história de Portugal, a apartir dos heróis e dos reis que formaram a pátria, evidenciando a visão predominantemente aristocrática da narrativa de Camões.
- Inês de Castro: trata-se de um caso de amor que envolve D. Pedro de Portugal e Inês de Castro, que entra na Corte Portuguesa pelas mãos da esposa de D. Pedro, D. Constança de Castela. D Pedro I acaba se apaixonando por Inês e com ela tem três filhos. A pós a morte da esposa, com medo de que Inês se tornasse rainha de Portugal quando D Pedro assumisse o trono de seu pai, alguns nobres da Corte convenceram o Rei a matá-la.
- História de Portugal: Após a morte de Inês, seguem-se meses de desavenças entre o Rei D. Afonso IV e seu filho D. Pedro. Este se revolta com seu pai, pela morte de Inês e, apoiado por Castela, estabelece um conflito bélico, gerando uma espécie de guerra civil em Portugal. Por fim, as pazes são feitas quando morre D. Afonso, e D. Pedro assume o trono, coroando Inês como Rainha de Portugal.
Canto IV
- História de Portugal: segue-se a narrativa da História de Portugal, quando acontece a importante batalha de Aljubarrota em que se enfrentam Portugal e castela. Nessa batalha destaca-se a figura de Nuno Álvares Pereira, que leva os lusitanos a uma vitória gloriosa, em 14 de agosto de 1385.
- Dom Manuel: No relato que faz ao Rei de Melinde, Vasco da Gama aproxima-se da sua própria entrada na história. Conta que D. Manuel tem um sonho que revela-se como uma profecia. Neste sonho o Rei ouve o Rio Ganges dizer que as conquistas portuguesas no Oriente serão muitas. Ao despertar do sonho, o Rei decide levar adiante o projeto de conquistar as Índias, escolhendo Vasco da Gama para comandar a frota.
- O Velho do Restelo: ao final do Canto IV, aparece a figura de um velho que, da praia, grita aos marinheiros, revelando-se como única voz discordante em toda a primeira parte do livro. Para o velho, toda esta sede de conquista são motivadas por desejos vãos de glória, pela cobiça. O velho também alerta para o fato de que Portugal se desprotege ao mandar tantos homens para as conquistas. Ao final, o velho ainda amaldiçoa os navegadores, desejando que os feitos marítimos jamais sejam lembrados e que os nomes desses navegadores sejam esquecidos para sempre, que nunca sejam tema para nenhum poeta.
Canto V
- Largada: deixando para trás o Velho do Restelo, os portugueses seguem viagem.
- Viagem pela costa africana: narração feita por Vasco da Gama sobre o início da navegação. São apresentadas várias regiões por onde a frota passou na viagem pelo Atlântico (Madeira, Açores, Senegal, Cabo Verde... até o encontro com o Cruzeiro do Sul, sinal de que mudaram de direção). Vasco também relata fatos surpreendentes dos quais foi testemunha (Fogo de Santelmo, Tromba Maritima), conhecidos pelos marinheiros, mas ignorados pelos sábios, que não têm a experiência dos navegadores.
- Veloso: história de Fernão Veloso, um dos marinheiros de Vasco da Gama, que desce à terra e segue atrás dos nativos pelos montes. Algum tempo depois, retorna correndo perseguido por africanos que o queriam aprisionar.
- Gigante Adamastor: o Gigante Adamastor representa o Cabo das Tormentas. Neste episódio, o gigante aparece aos navegadores e diz ser um dos que enfrentaram Júpiter numa batalha pelo domínio do Olimpo. Nesta batalha, os gigantes vencidos foram transformados em pedras. Adamastor interpela os portugueses, questiona suas intenções e conta com sua própria história, revelando seu amor por Tétis. Demonstrando sua indignação pela ousadia dos portugueses, Adamastor jura vingar-se atacando navios que passarem por ali, afundando inclusive o navio de Bartolomeu Dias.
- Fim da Navegação e chegada em Melinde: segue a nevagação até a chegada em Melinde, onde Vasco da Gama faz seu relato ao Rei. Nesta parte faz-se referência a momentos de contato com povos africanos e também ao escorbuto, doença que atingia os marinheiros.
- Elogio aos portugueses: Vasco da Gama elogia a ousadia e a lealdade dos portugueses, dizendo que não há povo no mundo capaz de fazer o que eles fizeram.
- Crítica aos que não valorizam a poesia: Camões critica os portugueses que não apreciam a poesia e o trabalho poético. Desta forma, chama a atenção para a importância de seus versos, por ser ele o primeiro poeta a cantar as glórias portuguesas.