A carreira
A guerra entre ingleses e argentinos em torno das Ilhas Falkland (Malvinas),
em 1982, deixou o Brasil sem as informações meteorológicas
de uma de suas principais fontes, o satélite Goes. Os americanos, aliados
dos ingleses, pararam de transmitir para a América Latina os dados sobre
nuvens e tempestades para dificultar as manobras militares argentinas. "Essa
dependência está por acabar", acredita Nelson Jesus Ferreira,
chefe da divisão de meteorologia por satélites do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São Paulo. "Daqui a cinco anos,
os países do Mercosul terão seu satélite."
Enquanto isso, alguns Estados já começaram a instalar radares,
estações de recepção de imagens de satélites
e computadores capazes de calcular a chegada de chuvas em regiões pequenas.
O investimento maciço em equipamentos tem mudado o perfil do profissional.
Agora não basta só ele gostar de matemática e física.
Também é preciso saber lidar com tecnologia de coleta de dados
sobre pressão, temperatura, umidade do ar e velocidade dos ventos. E,
depois, analisar por computador todos esses fatores e elaborar a previsão.
Até de situações de emergência os meteorologistas
participam. "Trabalhamos muito nos dias de chuva para reduzir os problemas
no trânsito paulistano", conta Augusto José Pereira Filho,
professor da USP, em São Paulo. "Prevemos onde choverá mais
e, assim, ajudamos a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a desviar
os veículos das áreas sujeitas a inundações."
O mercado
Sinal verde para os especialistas em instrumentação meteorológica.
"Faltam profissionais qualificados para trabalhar nos sistemas estaduais
de meteorologia que estão sendo montados", afirma Ferreira, do Inpe.
Para os próximos dois anos, está programada a instalação
de centros no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em Goiás. Embora a maioria
dos empregos esteja em órgão governamentais, os melhores salários
encontram-se no setor privado.
Salário médio inicial: R$ 1.700,00
Em alta: Instrumentação meteorológica.
O curso
Nos dois primeiros anos, é grande a carga de disciplinas como matemática, física e as básicas de meteorologia. No terceiro e quarto anos, começa a parte prática e entram matérias ligadas diretamente à profissão: meteorologia física, micrometeorologia, agrometeorologia, climatologia e sensoriamento remoto. "O curso é praticamente de matemática e física aplicadas", diz Pereira Filho, da USP. "Por isso, é bom ter uma base sólida nessas duas ciências." Duração média: quatro anos.