A carreira
De acordo com a Organização das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura (FAO), o mundo produz cerca de
30 milhões de toneladas de organismos aquáticos criados em cativeiro
- número que vem aumentando, em média, 8% a cada ano. É
nessa onda promissora que navega o engenheiro de pesca, o especialista na exploração
de peixes, crustáceos e moluscos. Seja nas fazendas aquáticas,
no mar ou rios, é ele quem faz a ponte entre a tecnologia e a extração
de alimentos das águas. Para isso, acompanha as diversas etapas da criação,
reprodução e captura e planeja novas formas de exploração,
armazenamento, transporte e processamento.
"Eu trabalho com pesquisa pesqueira", conta José Augusto Negreiros
Aragão, do Ibama, no Ceará. "por meio da observação
dos pescadores em suas atividades e da utilização de modelos matemáticos,
calculo a quantidade de camarão e lagosta que deve ser capturada, de
modo a garantir o estoque sem afetar o equilíbrio ambiental. A preocupação
em não explorar os recursos marinhos de maneira predatória é
a base de nossa atividade." O cuidado com o meio ambiente não é
problema exclusivo dos órgãos públicos. "Os recursos
naturais são finitos e estão escasseando", afirma Ricardo
Barreira, consultor em engenharia de pesca no Ceará. "Vivemos um
momento em que a produção, a tecnologia e a preservação
do ambiente devem andar de mão dadas".
O mercado
As melhores oportunidades estão na aqüicultura. "A grande
quantidade de açudes e barragens no interior do país favorece
o cultivo em cativeiro, principalmente nos Estados do Nordeste e em Santa Catarina",
comenta Aragão, do Ibama. Há emprego, ainda, como consultor em
empresas que fazem a industrialização e a comercialização
do pescado. E, na área de preservação ambiental, em órgãos
do governo e em ONGs.
Salário médio inicial: R$ 1.223,41.
Em alta: Aqüicultura.
O curso
A grade curricular contém matérias comuns a todos os cursos de engenharia, como física, química, matemática e estatística, além de disciplinas da área de ciências biológicas, como biologia, ecologia e zoologia. Metereologia, oceanografia e fotogrametria também fazem parte do programa, bem como matérias de humanas, como economia. Nas aulas práticas, o estudante aprende técnicas de navegação, métodos de processamento do pescado e de cultivo de peixes, moluscos e crustáceos. O estágio supervisionado é obrigatório no último ano. Duração média: cinco anos.
Novo: Aqüicultura
A Aqüicultura, que até pouco tempo atrás não passava
de disciplina da engenharia de pesca, vem experimentando um verdadeira manobra
radical. Nos últimos dez anos, a produção brasileira de
animais aquáticos triplicou, saltando de 13 000 toneladas anuais para
mais de 40 000 em 1998. Atenta a esse mercado potencial, a UFSC, em Santa Catarina,
criou um curso específico para a área, que dura quatro anos e
meio e tem um currículo interdisciplinar.
Além de aulas de biologia, bioquímica, fisiologia celular e ecossistemas,
o estudante aprende geologia, construção civil, hidráulica,
instalações elétricas, desenho técnico rural, administração
e economia. "O graduado deve sair preparado não só para o
cultivo de peixes, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas em
gaiolas, reservatórios e tanques, mas também preparado para atuar
como empreendedor, capaz de gerenciar a produção de uma fazenda
ou outro empreendimento aquático de maneira ecologicamente correta",
diz Vinícius Ronzani Cerqueira, coordenador do curso em Santa Catarina.